sábado, 22 de março de 2008

Vandalos

Os Vândalos, originalmente europeus, ocuparam um reino no norte da África. No século V, invadiram o Império Romano.




Hoje em dia, a palavra vândalo é usada para designar qualquer pessoa que destrói as coisas sem razão.
Os Vândalos eram uma tribo germânica oriental que penetrou no Império Romano durante o século V e criou um estado no norte da África, centralizado na cidade de Cartago. Os vândalos devem ter dado seu nome à província da Andaluzia (originalmente Vandalusia e depois Al-Andalus), na Espanha moderna, onde eles se fixaram temporariamente antes de serem empurrados para a África.
O godo Teodorico o Grande, rei dos ostrogodos e regente dos visigodos, se aliou por casamento com os vândalos, assim como com os burgúndios e com francos sob Clóvis I.

Origens


Norte da Europa e Báltico no século III.

A cultura Przeworsk (verde) na primeira metade do século III. O mapa mostra a extensão da cultura Wielbark (Godos) em vermelho, uma cultura báltica (Aesti?) em amarelo, e a cultura Debczyn, em rosa. O Império Romano está na cor violeta.
Os vândalos foram identificados com a cultura Przeworsk no século III. Controvérsias envolvem as potenciais conexões entre os vândalos e outra possivelmente tribo germânica, os Lugii (lygier, lugier ou lígios). Alguns acadêmicos acreditam que ou Lugii era um antigo nome dos vândalos ou os vândalos eram parte da confederação lígia.
A similaridade de nomes sugere como terras natais para os vândalos na Noruega (Hallingdal), Suécia (Vendel) e Dinamarca (Vendsyssel). Supõe-se que os vândalos cruzaram o Báltico entrando no que hoje é a Polônia em algum momento do século II a.C., e se fixaram na Silésia por volta de 120 a.C.. Tácito registrou a presença dos vândalos entre os rios Oder e Vístula na Germania no ano de 98, corroborado por historiadores posteriores. De acordo com Jordanes, eles e os rúgios foram deslocados com a chegada dos godos. Esta tradição apóia a identificação dos vândalos com a cultura Przeworsk, e desde então a cultura Wielbark gótica substituiu um braço daquela cultura.
Na Idade Média, havia uma crença popular de que os vândalos eram ancestrais dos poloneses. Essa crença se originou provavelmente devido a dois fatores: o primeiro, por se confundir os venedos com os vândalos, e o segundo, porque tanto vândalos como venedos nos tempos antigos viviam nas áreas depois ocupadas pelos poloneses. Em 796, nos Annales Alamanici, pode-se encontrar um resumo dizendo: "Pipinus ... perrexit in regionem Wandalorum, et ipsi Wandali venerunt obvium" ("Pepino partiu à região dos vândalos, e os vândalos não se opuseram a ele"). Nos Annales Sangallenses, a mesma incursão (contudo, datada em 795) é resumida em uma pequena mensagem, "Wandali conquisiti sunt" ("Os vândalos foram conquistados"). Isto significa que os escritores do início da Idade Média deram o nome de vândalos aos ávaros.

História

Os vândalos se subdividiam nos Silingi e nos Hasdingi. Os Silingi viviam na região conhecida por séculos como Magna Germania, onde hoje é a Silésia. No século II, os Hasdingi, liderados pelos reis Raus e Rapt (ou Rhaus e Raptus), deslocaram-se para o sul, e atacaram inicialmente os romanos na região do baixo Danúbio, depois entraram num acordo de paz e se estabeleceram a oeste na Dácia (Romênia) e na Hungria romana.
Em 400 ou 401, possivelmente por causa dos ataques dos hunos, os vândalos juntos com seus aliados, (os alanos sármatas e os suevos germânicos), iniciaram o deslocamento para oeste sob o comando do rei Godgisel. Alguns dos Silingi se juntaram a eles depois. Nessa mesma época, os Hasdingi já haviam sido cristianizados. Muitos como os godos antes, adotaram o Arianismo, uma crença que estava em oposição à principal corrente do Cristianismo do Império Romano, que depois cresceram como Catolicismo e Ortodoxia Oriental.

Gália


Migração dos Vândalos.

Os vândalos viajaram para oeste margeando o Danúbio sem muita dificuldade, mas quando eles alcançaram o Reno, encontraram a resistência dos francos, que habitavam e controlavam as possessões romanas no norte da Gália. Cerca de 20.000 vândalos, inclusive o rei Godigisel, morreram na batalha com os francos, mas então com a ajuda dos alanos eles conseguiram derrotar os francos, e em 31 de Dezembro de 406, os vândalos cruzaram o Reno para invadir a Gália. Sob o comando do filho de Godigisel, Gunderico, os vândalos pilharam e saquearam seu caminho para oeste e para o sul através da Aquitânia.

Península Ibérica


Os vândalos na península Ibérica, no século V.

Em outubro de 409 os vândalos cruzaram os Pirineus penetrando na península Ibérica. Lá eles receberam terras dos romanos, como foederati, na Gallécia (a noroeste) e na Bética (no sul), enquanto os alanos receberam terras na Lusitânia (a oeste) e na região em torno de Nova Cartago. Ainda, os suevos, que também controlaram parte da Galécia, e os visigodos, que invadiram a Ibéria antes, receberam terras na Septimânia (sul da França), esmagando os alanos, dos quais os sobreviventes saudaram Gunderico como seu rei.

África

O meio irmão de Gunderico, Geiserico começou construindo uma esquadra naval vândala. Em 429, depois de se tornar rei, Geiserico cruzou o estreito de Gibraltar e se deslocou a leste até Cartago. Em 435, os romanos lhes concederam alguns territórios no norte da África, e já em 439 Cartago caiu ante os vândalos. Geiserico então transformou o reino dos vândalos e alanos num estado poderoso (a capital era Saldae atual Bejaia no norte da Argélia), conquistando a Sicília, a Sardenha, a Córsega e as Ilhas Baleares.
As diferenças entre a heresia ariana adotada pelos vândalos e os católicos romanos eram uma constante fonte de tensões no estado africano. A maioria dos reis vândalos, exceto Hilderico, mais ou menos perseguiram os católicos. Embora o catolicismo fosse raramente proibido oficialmente (com os últimos meses do reinado de Hunerico sendo uma exceção), eles eram proibidos de fazer conversões entre os vândalos, e a vida era geralmente difícil para o clero católico.

Saque de Roma


Saque de Roma pelos Vândalos, em 455.

Em 455, os vândalos tomaram Roma e saquearam a cidade por duas semanas começando em 2 de Junho. Eles partiram com valores incontáveis, pilhagens do Templo em Jerusalém trazidas para Roma pelo imperador Tito Flávio e pela imperatriz Licínia Eudócia e suas filhas Eudócia e Placídia. Em 468 eles destruíram uma enorme frota bizantina enviada contra eles.

Declínio

Com a morte de Geiserico em 477, seu filho Hunerico se tornou rei. O reinado de Hunerico foi mais notável por suas perseguições religiosas contra os maniqueístas e os católicos. Ghuntarmund (486-496) buscou a paz interna com os católicos. No campo externo, o poder vândalo havia declinado desde a morte de Geiserico, e Guntharmund perdeu grandes partes da Sicília para os ostrogodos, e foi obrigado a se opor a crescente pressão dos mouros.
Hilderico (523-530) foi o mais amistoso dos reis vândalos em relação aos católicos. Contudo, ele tinha pouco interesse na guerra, deixando esse assunto para um membro da sua família, Hoamer. Quando Hoamer sofreu uma derrota contra os mouros, a facção ariana dentro da família real liderou uma revolta, e Gelimer (530-533) se tornou rei. Hilderico, Hoamer e seus parentes foram mandados à prisão.
O imperador bizantino Justiniano I declarou guerra aos vândalos. A ação foi liderada por Belisário. Tendo ouvido que a maior parte da frota vândala estava em combate numa revolta na Sardenha, ele decidiu agir rapidamente, desembarcando em solo tunisiano, ele avançou na direção de Cartago. No final do verão de 533, o rei Gelimer encontrou Belisário dezesseis quilômetros ao sul de Cartago na Batalha de Ad Decimum. Os vândalos estavam vencendo a batalha inicialmente, mas quando o sobrinho de Gelimer, Gibamundo, caiu na batalha, os Vândalos desistiram e fugiram. Belisário rapidamente tomou Cartago enquanto sos vândalos sobreviventes ainda lutavam.
Em 15 de Dezembro de 533, Gelimer e Belisário novamente se enfrentaram em Ticameron, uns 32 quilômetros ao sul de Cartago. Novamente, os vândalos estavam vencendo mas falharam, dessa vez quando Tzazo, o irmão de Gelimer caiu na batalha. Belisário avançou rapidamente para Hippo (atual Annaba, na Argélia), segunda cidade em importância do reino vândalo. Em 534 Gelimer se rendeu ao conquistador romano, pondo fim ao reino dos vândalos.

Lista de reis

1. Godigisel (-407)
2. Gunderico (407-428)
3. Geiserico (428-477)
4. Hunerico (477-484)
5. Gunthamund (484-496)
6. Thrasamund (496-523)
7. Hilderico (523-530)
8. Gelimer (530-534)

Língua vândala

Muito pouco se conhece da língua vândala que pertencia ao ramo língüístico germânico oriental, muito próxima à língua gótica (conhecida de uma tradução da Bíblia), ambas completamente extintas. Alguns traços devem restar no dialeto andaluz, o grupo de dialetos espanhóis mais meridional, que é contudo fortemente influenciado pelo árabe dos posteriores mouros (que dominaram a península Ibérica de 711 a 14

Herança moderna

·O nome Andaluzia é uma deformação do nome vândalo.
·Um tanto injustamente, o nome dos vândalos se tornou sinônimo para os saques bárbaros e destruição, visto que eles capturaram Roma em pouco tempo, mas não causaram danos maiores que outros invasores, inclusive de exércitos cristãos.

Fonte: Wikipédia

3 comentários:

fc de biaa disse...

poxa bem legal o seu blog mais posta alguma coisa ai de quais aspectos culturais por favor

Nandinha Assis disse...

preciso saber a cultura dos vândalos posta ai

Marcelle Candido disse...

Queria saber quais eram as caracteristicas principais dos Vândalos Bárbaros , Mas fora isso Ficou muito legal