quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Religião Germânica
















Com a conversão dos povos germânicos ao cristianismo, depois do declínio do Império Romano do Ocidente, perdeu-se a maior parte das informações sobre seus primitivos deuses, crenças e cultos, dos quais resta uma imagem mais vívida apenas na Escandinávia.

Religião germânica é o conjunto de concepções mitológicas e religiosas comuns aos povos que falavam qualquer dos dialetos germânicos e que, no decorrer dos primeiros séculos da Idade Média, se expandiram por toda a Europa. Assimilada por regiões romanizadas, exerceu importância decisiva na formação do espírito europeu.

Dos três grandes grupos germânicos - oriental, ocidental e setentrional - é este último o mais conhecido, pois foi na Escandinávia que as tradições germânicas se mantiveram por mais tempo e sobreviveram na imaginação popular depois da conversão oficial ao cristianismo. A obra Germania, do historiador Tácito, revela dados interessantes sobre o período romano, embora, como as crônicas dos missionários cristãos, peque por certa parcialidade.

A coletânea islandesa Edda poética, escrita entre os séculos IX e XIII, dedica o primeiro canto, o Völuspá, à cosmogonia ou formação do mundo. Também a Edda em prosa, do islandês Snorri Sturluson, do século XIII, encerra todo o tratado da mitologia nórdica. Esses e outros textos, mais as tradições populares que perduraram, mostram a influência do pensamento cristão. Os restos arqueológicos e a toponímia, que estuda a origem dos nomes geográficos, são mais seguros, porém menos informativos.

No Völuspá, a criação do mundo é contada por uma antiqüíssima profetisa cultuada por gigantes primitivos. No princípio não havia nada além de Ginnungagap, um vácuo impregnado de força mágica. Três deuses, Odin e seus irmãos, ergueram a terra, presumivelmente do mar. O sol brilhou nos rochedos estéreis e a terra cobriu-se de verdes pastagens. Depois, Odin e dois outros deuses chegaram a terra firme transportados por dois troncos de árvore, Askr e Embla, e deram a eles a faculdade de respirar, razão, cabelos e um formoso semblante, criando assim o primeiro casal humano.

Uma história ligeiramente diferente é contada no poema didático "Vafthrúdnismál" ("O canto de Vafthrúdnir"). O poeta atribui sua ascendência a um gigante primitivo, Aurgelmir, também conhecido pelo nome de Ymir, que teria se originado de respingos dos tormentosos rios chamados Élivágar. De suas pernas, o gigante gerou um filho de seis cabeças, e sob seus braços cresceram uma donzela e um jovem. A terra formou-se a partir do corpo do gigante, que foi massacrado por Odin e seus irmãos. Dos ossos de Ymir surgiram as rochas; de seu crânio, o céu; e de seu sangue, o mar. Outro poema, "O canto de Grímnir (Odin)", acrescenta que os cabelos do gigante formaram as árvores, e seus miolos, as nuvens.

De acordo com os textos islandeses, o panteão germânico compreendia 12 deidades masculinas e 12 femininas, embora talvez essa mitologia fosse exclusivamente escandinava. Alguns deuses, no entanto, foram com certeza comuns a todos os reinos germânicos, em especial a tríade fundamental: Thor, Odin e Frey, conforme a denominação escandinava. O povo romano dedicava cada dia da semana a um de seus deuses. Os germanos continentais adotaram, no século IV, a semana de sete dias, e substituíram os nomes das divindades romanas que designavam os dias pelos nomes de suas próprias divindades.

Odin ou Wotan foi identificado com o deus romano Mercúrio. Odin era um deus guerreiro ao qual se ofereciam sacrifícios humanos, e tinha precedência sobre os outros dois. Ao que parece, na assimilação a Mercúrio, prevaleceu sua sabedoria mágica e seu engenho. Marte, a divindade romana da guerra, foi assimilado a Tiwaz, deus tranqüilo e ordeiro. Balder (Baldr), filho de Odin, era o deus da eloqüência, e a ele opunha-se Loki, de caráter maligno. Identificado com Júpiter, o antigo nome escandinavo Thor, freqüente sobretudo no período viquingue, corresponde ao Donar dos germanos continentais e significa trovão. Frey ou Frikko, deus da fecundidade, era irmão e esposo de Freya ou Friga, mãe terra e deusa da fertilidade, identificada com a Vênus romana.

Os deuses germânicos se agrupavam em duas tribos: Aesir e Vanir. Entre os primeiros, encarregados das funções religiosas, encontravam-se Thor e Odin; os demais, relacionados com a vida camponesa, tinham Frey como deus maior. Essa separação foi feita também por outros povos indo-europeus.

Celebrado em princípio ao ar livre, o culto germânico foi depois levado para templos, construídos para proteção contra as intempéries. Os ritos tinham caráter estacional, de acordo com o ciclo agrícola. Quanto à vida após a morte, acreditava-se que a sobrevivência tinha lugar nos próprios túmulos. Os mortos deviam percorrer um caminho durante nove dias até chegar a seu lugar. Ao Valhalla, ou paraíso, chegariam os nobres guerreiros mortos em combate, que seriam recebidos pelas valquírias, mensageiras de Odin. O culto à coragem manifesta o espírito audaz e belicoso daqueles povos e a crença, subjacente em toda a religião germânica, na inevitabilidade do destino.

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Um comentário:

Luiz Fernando Cassiano de Freitas disse...

Parabéns pela iniciativa, você tem realizado um ótimo trabalho. Gosto muito de ler o teu blog, aprendo bastante.